Setênios

A primeira grande fase 0 aos 21 anos

30 de outubro de 2017

O PRIMEIRO SETÊNIO – 0 aos 7 anos.

Podemos considerar o primeiro setênio como talvez sendo o mais importante da vida. Isto porque ele é o alicerce, nosso fundamento para toda a vida. Esta etapa é em grande parte responsável pela nossa saúde física vida afora. Também é responsável por um equilibrado desenvolvimento biológico, necessário para um equilibrado desenvolvimento psíquico mais adiante.
A Mãe tem um papel fundamental nessa fase porque conforme somos cuidados e nossas necessidades fundamentais atendidas, a leitura através das sensações que experimentamos é de que o MUNDO É BOM. A criança faz sua leitura através das sensações de frio, de calor, de estar bem, de estar satisfeita, bem alimentada. Isso transmite uma sensação de segurança e de que o mundo é um lugar seguro de ficar. Então a criança aprende a confiar na vida, sentimento ou sensação que ela leva para o futuro e para o resto da vida.
Agora, quantas crianças ainda não tem o básico, que seria seu por direito? Aqui fica uma indagação difícil e complexa para responder.

A gestação também é muito importante para esta confiança na vida e no mundo, por isso assistência à futura mãe é fundamental. Nesse período a criança e a mãe são uma só num relacionamento totalmente simbiótico. Então todas as dificuldades pelas quais a mãe passa, são registradas pela criança como se fossem dela. As percepções amorosas tem a sua origem já no útero materno, bem como as dificuldades também.
No primeiro ano de vida, a criança se desenvolve de um estado completamente dependente para uma “independência” de poder dar os primeiros passos. O corpo físico cresce e tem um significativo aumento de peso. Os dentes de leite que nascem, ainda são literalmente “emprestados” da mãe. Tudo são só sensações e as necessidades precisam ser atendidas imediatamente, por isso tanto choro.
A criança aprende pela imitação, onde nosso comportamento moral do futuro é formado em grande parte nesta primeira fase do desenvolvimento.
No segundo ano a criança começa a socialização. Com os irmãos ou amiguinhos aprende a dividir com o outro. Devagar começa a se separar da mãe, começa uma leve consciência de si mesma, desenvolvendo agora os sentimentos como ciúmes, raiva etc.
Esta separação se torna mais forte aos três anos. Começa agora a primeira sensação do Eu. É quando a criança deixa de se chamar pelo seu nome e agora se refere a ela mesma como eu.
Aos quatro, cinco, seis anos vem o desenvolvimento das habilidades cognitivas acordando e exercitando o pensamento. A criança agora vai desenvolver o raciocínio.
As brincadeiras, a imaginação, o mundo do faz-de-conta, são importantes para a criatividade do adulto no futuro. Igualmente são os contos de fadas, as histórias na hora de dormir, sempre estimulando a imaginação.
Aos sete anos, a troca dos dentes de leite para os dentes definitivos é um importante marco na trajetória do desenvolvimento da criança. Igualmente importante, é nessa é a idade que se completa o processo de substituição das células herdadas da mãe e a criança passa ter suas próprias células.

SEGUNDO SETÊNIO – 7 a 14 anos.

Nesta segunda fase da vida, a principal atividade no desenvolvimento da individualidade é o PENSAR. Agora a criança aprende a racionar, a questionar, é o tempo dos porquês. Ela é curiosa, vai para a escola, porque ela quer aprender.

Aqui a pessoa mais importante é o PAI. Outra figura de destaque é o professor. São figuras relevantes porque a criança precisa do adulto e da autoridade para sua orientação, para poder se espelhar. Essa autoridade deveria ser firme e amorosa. A escola se torna o lugar mais importante, onde o professor é o mediador entre a criança e o mundo. O que ela aprende vai influenciar muito seu desenvolvimento e capacitação profissional no futuro.
É a fase onde a criança aprende a ter ritmo, como também aprende a ter limites e respeito pela autoridade. É nesta época que se formam as regras que adotamos, que regem e fortalecem nossos valores ao longo da vida. Cidadania por exemplo, fazer parte, pertencer a um grupo, a um país. É o começo do nosso próprio código de ética. Por isso os adultos com os quais a criança convive deveriam ser verdadeiros, transparentes, autênticos, etc.

Igualmente importante, nesta fase, é o fazer artístico e os ensinamentos religiosos. Também é o tempo das brincadeiras do herói e da heroína das diferentes histórias. No interior da criança, estas formas arquetípicas estão alinhadas com seus anseios mais profundos de origem espiritual. Aqui o nosso mundo é BELO.

Nas brincadeiras do pátio da escola e do nosso quintal já se desenha um esboço das nossas realizações futuras. É uma indicação para onde aponta nossa futura profissão.
Então, até os 14 anos, o jovem – agora já adolescente – está com seus centros físico, emocional e mental desenvolvidos, que juntos formam a base para o futuro desenvolvimento das camadas espirituais do indivíduo.

Sugestão de exercício:
No seu caderno faça um desenho ou pintura, das suas brincadeiras preferidas desta fase. Observe as cores que você usa. Você consegue ver uma ligação com sua profissão ou ocupação atual?
Qual era seu principal ídolo nesta época? Quais eram as qualidades deste ídolo?
Anote a sua história preferida. Qual o ensinamento moral desta história?

TERCEIRO SETÊNIO – 14 a 21 anos.

 A fase da adolescência traz grandes desafios para o desenvolvimento do indivíduo. A diferença entre os meninos e meninas se torna quase uma separação, como fossem de diferentes times. O corpo começa a mostrar muito claramente essa diferença e ambos precisam lidar com suas próprias questões e desafios.
Tudo isso causa inquietação e insegurança, mesmo porque, fisicamente, ocorre uma profunda transformação hormonal.
Então, emocionalmente, o indivíduo percebe muitos altos e baixos, que oscilam entre doces anseios e dolorosas rejeições. Nesta fase nosso coração se abre para incluir o Outro, o Eu agora inclui o Tu. O EU não existe mais sozinho. Os amigos, a turma, agora são muito importantes. Se enturmar, “ser igual”, agora é mais importante do que ser diferente. É preciso ser aceito. É um período de muitas dúvidas e questionamentos, o que para muitos significa o tempo do paraíso perdido.
Percebe-se que é nos relacionamentos que acontece nosso maior aprendizado. Como num esmerilho, vamos nos acertando, nem sempre da maneira mais fácil. Com os pais acontece um constante teste de limites, que deveriam ser firmes e flexíveis ao mesmo tempo. Isso porque, no relacionamento com os pais, o adolescente vai aprender a negociar. Ele precisa de segurança para testar seus próprios limites e assim aprender a respeitar os limites dos outros.

Aqui estamos diretamente ligados com o chakra do coração, que se expande, trazendo para o indivíduo a capacidade de viver seus relacionamentos e de se abrir para os níveis superiores de consciência. É um tempo em que defendemos nossas ideias e os nossos ideais, como uma afirmação de que nosso mundo é VERDADE.
Nos encontros e reencontros dessa fase, estabelecemos muitos relacionamentos influentes e significativos que levamos pela vida afora.
Com uma base sólida adquirida das fases anteriores, e das diferentes experiências, estamos agora prontos para iniciar nossa caminhada no mundo, trilhar nosso jeito de ser, deixar a nossa marca. Separados agora dos nossos pais, passamos a ter a responsabilidade de responder pelos próprios atos. No mundo externo, o fim deste período coincide com a época de nossa emancipação legal. Agora somos responsáveis por nós mesmos.

Sugestão de exercício:
Faça uma reflexão sobre seus relacionamentos mais significativos na sua fase de adolescente.
Anote os mais importantes e perceba o que ficou, o que você aprendeu nas diferentes vivências.
Fique à vontade para usar diferentes cores para ilustrar a emoção e os sentimentos da época.

Foto Marina Stein

Você também pode gostar de