Os Quatro Reinos na Natureza

Os quatro reinos na natureza – O Reino Animal

13 de dezembro de 2017

Caracterizar um animal não é tão simples como parece. Isto porque a classificação do Reino Animal – na Escala Taxonômica Zoológica – é muito extensa. Nela encontramos formas de vida simples e unicelulares chamadas de protistas; formas intermediárias como os moluscos e outros invertebrados; formas mais elaboradas como peixes, répteis e aves, junto com a complexidade dos mamíferos, que por sua vez novamente se dividem em inúmeras ordens, espécies e tipos.

Todavia, observamos na Escala Zoológica algo parecido com a Escala Botânica. As formas mais simples – os invertebrados – tendem a se assemelhar mais com as plantas, e as formas mais complexas – os vertebrados, em especial os mamíferos – tendem a se assemelhar cada vez mais aos Humanos.

A partir da visão da Antroposofia e outras mais, o Animal é um ser dotado de anima, palavra latina que deu origem tanto ao termo animal, quanto ao termos alma, animação e ânimo.

Tradicionalmente, na Alquimia, o elemento ligado aos animais é o Ar.

Portanto, o animal é um ser vivo dotado de alma, uma entidade aeriforme, caracterizada por reagir perante o mundo através de sensações e emoções. Para que o animal possa ter sensações ele terá que ter desenvolvido segundo a sua espécie, órgãos para tal, como o sistema nervoso, por exemplo. Em função deste sistema nervoso, o animal se torna capaz de reagir emotivamente ao mundo. Ele pode sentir emoções básicas que não devem ser confundidas com sentimentos, que são atribuições exclusivas dos humanos.

As emoções básicas que um animal é capaz de sentir, assim superando um vegetal, são: medo, raiva, dor, prazer, satisfação, incômodo, etc. Os sentimentos que têm uma característica humana são formas muito mais complexas de movimentos da Alma, permeados de um intercâmbio mental. São projeções no tempo e no espaço, de um modo tal que o animal não é capaz de elaborar, como: esperança, gratidão, veneração, desesperança, temor, apreciação estética, etc. Os seres humanos podem partilhar todas estas emoções básicas com os animais, mas estes não podem partilhar plenamente com o Homem a sua espiritualidade interior, a qual deixa a Alma Humana ampliada, tornando-a mais complicada que a do animal.

Carolus Linneus, que procurou classificar todas as formas de vida segundo as diferentes escalas taxonômicas, escreveu no século 18: “os minerais existem, os vegetais existem e crescem, os animais existem, crescem e sentem”. Assim, o animal tem a capacidade de sentir o mundo e reagir. A reação do animal perante o mundo, no entanto, nunca é racional e planejada como seria a do homem, mas segue determinados padrões de comportamento, prévia e profundamente inseridos no ser e uniformes para todos os animais da mesma espécie, chamados de instintos animais.

O mistério por trás do comportamento instintivo dos animais, que faz com que as espécies tenham um comportamento padronizado como os pássaros, por exemplo, que voam aos milhares durante o dia em direção ao norte, atravessando continentes e oceanos de um modo invariável e comum, caracteriza a sua ALMA GRUPAL.

Os animais não podem criar novos padrões ou novas soluções além daquelas que a natureza já implantou e programou dentro da estrutura do seu ser.

Por que então os golfinhos e outros mamíferos cetáceos, que tem um cérebro maior e mais neurônios que o cérebro humano, não elaboram arte, filosofia, ciência, religião e não dominam o planeta como uma espécie mais inteligente? Porque, apesar de terem um cérebro maior, o que os coloca numa condição muito especial no reino animal, ainda são membros de uma alma grupal, a dos cetáceos, e não são indivíduos independentes.

Contemporâneo de Linneus, Goethe, no século 18, percebeu que existe uma unidade entre as várias espécies de animais, apesar das diferenças catalogadas por Linneus. Goethe intuiu que cada espécie animal é como se fosse parte de um Grande Todo, um fragmento de algo maior, a especialização ou particularização de um grande conjunto, sujeito a metamorfoses e a variações de todos tipos. A mesma coisa que os antigos alquimistas chamavam de microcosmos, ou seja, Anthropos – o “Homem Universal”.

Podemos então admitir que o Homem seja uma criatura central entre os animais, a forma para a qual convergem os traços de todas as espécies, como uma síntese extremamente sutil.

Este antropocentrismo de Goethe não é o mesmo que o antropocentrismo negativo e arrogante do utilitarismo materialista – o qual justifica o uso dos animais, pois estes assim julgados por esta corrente de pensamento, teriam sido criados somente para servir o Homem.

É um antropocentrismo positivo, pois busca um elo entre o Homem e os Animais considerando estes como etapas, particularizações do Homem.

O antropocentrismo materialista parte do pressuposto, ao contrário da visão de Goethe, de que há uma enorme distância, um abismo entre os dois reinos, estando o Homem não apenas no centro, mas acima, dotado do direito de desfrutar dos objetos à sua volta.

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