Os nossos vários Eus

O Eu Mascarado

7 de maio de 2019

Dentro da constelação do Eu, o Eu Mascarado supostamente nos protege do mundo externo, como uma concha. Esta desenvolvemos muito cedo na infância, para nos proteger daquilo que sentimos como uma ameaça, ou melhor, numa época, com o ego em formação, na qual não temos a capacidade de lidar com certas circunstâncias. Por exemplo, nos defender de algo que era abusivo, ou nos sentindo atacados em nossos valores, ou impedidos de expressar a nossa opinião, etc.

De uma maneira geral, a máscara está baseada na distorção de um dos três princípios divinos, que são o Amor, o Poder e a Serenidade. No estado unificado, estes três trabalham em harmonia, gerando paz e bem-estar. No mundo de polaridade em que vivemos, tendemos a enxergar estes princípios em oposição. Então, inconscientemente, escolhemos um destes atributos para competir, numa tentativa de sermos perfeitos – amando com perfeição, sendo completamente poderosos ou inteiramente serenos de forma que nada nos atinja.

Então, como no caso de uma concha, a máscara está longe de quem realmente somos. Mesmo assim, quando nos deparamos com nossa máscara, ficamos confusos, porque nos sentimos identificados com ela, sem conseguir distinguir muito bem quem somos de verdade e quando estamos usando nossa máscara. Aqui é importante lembrar que, no aspecto espiritual, todos somos Amor, Poder e Serenidade.

A máscara é uma manifestação exacerbada da nossa essência. É uma espécie de caricatura, com a qual tentamos conseguir as coisas pela lógica da nossa criança ferida, na tentativa de escapar da dor e da humilhação, para nos proteger e receber a aprovação dos adultos e nos prevenir de futuras experiências dolorosas.

Assim, a máscara nos separa da pureza da nossa criança criativa, que com sua abertura e vulnerabilidade, tem a capacidade de fluir com o momento presente e ter uma conexão direta com o mundo espiritual, onde estará sempre amparada protegida e segura.

Da mesma forma, a máscara nos protege da criança negativa, dos nossos pontos ainda não desenvolvidos, que está ligada ao nosso Eu Inferior, com qualidades negativas e destrutivas de si mesmo e de outros. Com a separação dessa consciência a nosso respeito, começamos a acreditar que somos vítimas da nossa infelicidade, em vez de saber que somos cocriadores da nossa realidade.

No mundo adulto, usamos a máscara para a representação do nosso papel dentro da família, enquanto que na sociedade confirmamos o nosso valor e assim, por consequência, obtemos aprovação. Também é uma forma de não admitirmos e, desta forma, escondermos o nosso Eu Inferior, que não queremos enxergar e cuja responsabilidade não queremos assumir.

Então, a máscara é uma crença baseada numa visão limitada da nossa identidade, da qual queremos nos proteger de qualquer forma. Portanto, é uma ilusão que obscurece o nosso Eu mais profundo. Ela nasce de uma crença negativa de que a dor da nossa criança vá nos destruir, ou de que termos a consciência do nosso Eu Inferior vai nos diminuir. Essas duas consciências são desafiadas quando temos consciência de que Somos Grandes, maiores do que a criança assustada que vive dentro de nós, ou do nosso ego protegido. Na verdade, somos almas seguramente amparadas por Deus na viagem de volta para a nossa verdadeira identidade, o nosso EU VERDADEIRO.

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