Os nossos vários Eus

O Eu Criança

11 de junho de 2019

Em cada um de nós vive uma criança interna. Pois é a partir dela que o adulto em nós se formou, não é mesmo? São os diferentes estágios de desenvolvimento pelos quais passamos ao longo da vida, e na maioria das vezes, dependendo do desenvolvimento da consciência de cada ser, a nossa criança está completamente esquecida. Ela é o nosso EU CRIANÇA.

Para nosso desenvolvimento e a cura das nossas feridas é necessário conhecermos as diferentes crianças internas e seus comportamentos. Isto é, conhecermos os aspectos de nós mesmos que não avançaram, que não cresceram.

Tanto a criança assustada, a criança birrenta, a criança brincalhona, a criança divina, são aspectos dos diferentes estágios de desenvolvimento que não conseguimos processar. Isso ocorreu por conta de alguma situação traumática ocorrida, uma negligência ou uma invasão por parte dos adultos em nossa volta, em uma das fases do nosso desenvolvimento.

Quando o desenvolvimento emocional ficou incompleto, o adulto em nós age a partir das questões infantis não resolvidas até que vamos começar a prestar atenção a elas. A cura das feridas infantis vem da compreensão do adulto em nós, que tem agora a estrutura necessária para voltar e experimentar essa dor infantil, acolhendo-a, e assim transformá-la.

É importante entendermos que a nossa criança era inteiramente dependente dos pais ou dos adultos que a mantinham sob a sua guarda. Assim, as necessidades de amor, de conforto e de cuidado eram questões de vida e morte para a criança. Na verdade, estas deveriam ter sido plenamente atendidas por direito, mas ninguém de nós teve pais perfeitos, mesmo porque a humanidade ainda está longe da perfeição. Sempre é bom lembrar que enquanto humanos somos todos seres em desenvolvimento. Não somos um produto acabado, e sim estamos numa constante experiência de aperfeiçoamento.  

Quando as necessidades da criança não foram preenchidas ou suficientemente atendidas, a criança em nós vai continuar buscando alguém que possa preenchê-las. A exigência de ter suas necessidades preenchidas imediatamente, era uma real necessidade da criança. Mas no adulto se torna inaceitável. Somente se nos permitirmos de sentir o impacto de não ter tido as necessidades preenchidas na infância, poderemos iniciar um novo relacionamento com nossa criança interna. Agora como adultos, podemos assumir o papel do pai ou de mãe desta criança, gerando a partir daí um estado de nutrição contínua. É preciso dar a nós mesmos aquilo que não recebemos dos nossos pais.

A criança cambaleante precisa se tornar independente e aprender a controlar as funções do corpo. Se a sua necessidade de diferenciação não tiver sido respeitada, a criança em nós vai temer ser invadida novamente e assim se separar dos outros, inconscientemente, o que vai afastá-la de construir um relacionamento de intimidade com as pessoas de forma a se sentir nutrida. Somente entrando em contato com a raiva da criança que foi impedida pelos pais de viver a necessidade de crescer, e ao mesmo tempo de sentir a sua diferença, vai fazer com que achemos um equilíbrio entre estar junto e estar separado de alguém, agora como adultos.

Congelamos uma parte da nossa psique, quando na infância ou na adolescência vivemos ou experimentamos uma situação que nos pareceu perigosa ou ameaçadora, uma situação da qual não demos conta. Assim a situação não foi processada e liberada, mas sim congelada, quer dizer, ela continua lá, com o nível de entendimento que a criança teve na época do evento. O distúrbio pode ter as suas raízes nas necessidades físicas ou emocionais não preenchidas na infância, ou pela falta de suporte que a criança estava experimentando como um ser diferenciado. Ou ainda pela invasão dos seus limites e da sua integridade numa fase posterior do seu desenvolvimento.

A criança não tem o discernimento para saber que, se o que está acontecendo com ela não está correto. Pelo contrário, ela se adapta ao meio e reprime o que está sentindo, o que seria o seu protesto contra a situação. Se ela sabe que o que está acontecendo não está correto, mas não tem com quem conversar a respeito, sua solidão pode se tornar insustentável, e esta por sua vez, depois ser igualmente reprimida.

Mais tarde fica claro, quando observamos o nosso comportamento, quais os estágios que foram incompletos ou insatisfatórios para o amadurecimento da nossa criança interna.

Por isso, voltar para a mente e para as emoções da nossa criança, vai fazer com que possamos completar o nosso processo de amadurecimento.   

     

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