Os Quatro Reinos na Natureza

Os quatro reinos na natureza – O Reino Vegetal

12 de dezembro de 2017

A planta é um ser intermediário entre o Reino Mineral e o Reino Animal. Isto podemos observar a partir da conformação de um vegetal que, enraizado no solo, assimila os nutrientes que precisa, elevando-os ao seu estado de ser, isto é, se elevando em direção ao Céu, buscando luz e calor. Desta forma vai ao encontro dos insetos e dos pássaros, convidando-os para o ritual da polinização e seduzindo-os, com os aromas e as cores vibrantes das flores que lhes são familiares e atraentes.

A planta é algo vivo que, em relação ao mineral, expressa e evidencia a Força da Vida. Ela germina a olhos vistos, cresce, adquire formas complexas, reage às condições do ambiente, murcha, floresce, se reproduz, respira, exala aromas, etc. Tudo expressa Vida, enquanto o mineral jaz inerte, imóvel, inflexível e frio. Assim uma planta pode ser considerada como um ser constituído de pura Vida no sentido biológico da palavra. VIDA é uma força da natureza, uma energia não material, não eletromagnética.

Na Antroposofia, estas forças da Vida são denominadas como Forças Etéricas ou Forças Formativas. Isso porque elas elaboram as formas e configuram e estrutura corpórea dos seres vivos. Uma planta é a força etérica materializada, o que podemos observar através do processo de germinação. Após o cumprimento do seu ciclo vital, a planta murcha, se desmaterializa e retorna ao Grande Etérico Universal.

As forças etéricas, como a vida mesma, necessitam de água para realizar os seus processos. Por isso onde há muita água também há abundância de diferentes formas de Vida, e onde há pouca água, no deserto, por exemplo, a Vida se recolhe.

Quando a planta volta ao mundo etérico de onde brotou, deixa para trás um “cadáver vegetal”, que é a sua estrutura seca. Esta, em última análise, é formada pelas substâncias minerais antes assimiladas pela planta.

As plantas, assim como os demais reinos, estão inseridas no Unus Mundus, junto com o Homem.

Este é um termo usado por Duns Scotus, filósofo do século 9 d.C., para denominar a Unidade Fundamental subjacente à diversidade de tudo que existe. As forças etéricas que são as plantas, tem uma enorme variedade de formas, que seguem uma sabedoria da natureza que se fundamenta nos arquétipos planetários e zodiacais e nos quatro elementos, terra, água, ar e fogo. Os alquimistas medievais usavam este insight na sua maneira de entender a natureza: a Unidade física e Suprafísica entre todas as criaturas do mundo, onde “no começo, tudo era UM”.

Tudo o que vemos e aprendemos com as plantas tem o seu equivalente dentro de nós mesmos, seja no nosso corpo, seja na nossa alma, seja no nosso espírito. Por isso Paracelsus disse: “A natureza é um ser revertido pelo avesso, mostrando-se a nossos olhos”.

É desse insight que provém a noção dos alquimistas sobre as “Signaturas”, que partia do princípio de que um processo conformativo de uma planta se revela de um sinal, uma indicação, que tem uma correspondência no processo morfológico ou fisiológico do Ser Humano.

Percebemos um grande movimento no Reino Vegetal quando observamos as inúmeras espécies, partindo de plantas mais simples, como cogumelos ou algas, sob uma forma de vida ainda como que presa ao solo, às mais complexas, como as plantas que formam flores e frutos que já alcançam o domínio do Reino dos Animais. Quando uma espécie vegetal é tocada pelas forças peculiares à formação dos Animais, ela sofre modificações que a tornam portadora de “Signaturas” que evocam formas, odores, cores, e secreções de substâncias próprias aos animais. As flores, neste sentido, são os órgãos sexuais das plantas, que podem ser coloridas, odoríferas, assumindo formas sedutoras para atrair as espécies de animais que vem polinizá-las. As espécies de plantas que desenvolveram flores ao longo de sua evolução vegetal, portanto deram um passo em direção à “animalização”.

A evolução das plantas é raramente um esquema linear e sim se parece muito mais como um salto quântico. Assemelha-se mais a criação de uma sinfonia, quando os temas se repetem e retornam de forma diferente, transformando-se, dando lugar a outros temas, somando-se e mesclando-se entre si.

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